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30 de abril de 2021

Seminário online A Psicanálise e os Transtornos Alimentares

Semana que vem começa o Seminário online A Psicanálise e os Transtornos Alimentares, no Instituto ESPE . As aulas acontecerão nas segundas feiras, nos dias 3, 10, 17 e 24/5, as 19 hs.

A proposta do curso é promover uma discussão sobre os Transtornos Alimentares, focando na delimitação e diagnóstico dos principais transtornos: anorexias, bulimias e compulsões alimentares, a partir das principais propostas teóricas da Psicanálise
Para isso, trabalharemos nos seguintes eixos:

1) Oferecer a possibilidade de reflexão sobre a atualidade dos transtornos alimentares, estabelecendo uma interface com a cultura contemporânea e as exigências da atualidade;

2) Aprofundar conhecimentos sobre diagnóstico e tratamento dos Transtornos Alimentares em suas diversas manifestações, desenvolvendo capacidades para a construção de um diagnóstico diferencial;

3) Possibilitar um entendimento dos Transtornos Alimentares para além das diretrizes diagnósticas estabelecidas atualmente, pensando os aspectos dos sintomas alimentares de forma individual e subjetiva;

4) Questionar o alimento apenas como necessidade biológica, introduzindo uma dimensão simbólica: “Você tem fome de que?” a partir da articulação entre o ato de comer e os aspectos psíquicos inerentes.




Inscrições no site Instituto ESPE

Para conhecer um pouco do curso, confira a aula aberta que rolou no dia 12/4.



Fernanda Pimentel é psicanalista, professora e pesquisadora. Doutora em Pesquisa e Clínica em Psicanálise pela UERJ
 Atendimento online durante o isolamento social

1 de março de 2021

Pedaço de carne

Recentemente uma antiga produtora da revista Playboy contou, numa live, os detalhes sobre os bastidores. Saber de bastidores sempre diverte e essa poderia ter sido mais uma entrevista divertida, se não revelasse a forma normativa e violenta que corpo das mulheres é tratado.

A crítica à forma objetificada e mercadológica que as revistas retratam o corpo feminino não é de hoje. Seja a evidente submissão e fixação no lugar de dona de casa, como na publicidade dos anos 50 e 60, seja atualmente com o excesso de fotoshop com os corpos anatomicamente impossíveis, o que se destaca é a forma como as mulheres ficam definidas por esses veículos de comunicação. Mesmo sabendo disso tudo, a história contada não deixa de impactar.

A produtora conta que várias modelos tinham seus órgãos genitais colados com cola para cílios postiços, com intuito de esconder o clitóris e os pequenos lábios, casos fossem protuberantes demais. Ela chega a comentar que quando algumas tiravam a roupa, “saia um pedaço de carne”. Alguém precisa lembrar que esse pedaço de carne que precisa ser escondido é o corpo da mulher.

 

O que é dito na entrevista é que essa carne “não é bonita de se ver”, “não pode aparecer na Playboy” e “não é excitante para o homem hétero que consome Playboy”. Num passe de mágica, tira-se o excesso, aperta ali, cola aqui e o corpo – como um produto – se adequa para ficar bonito aos olhos do consumidor.

Sabe quais são as consequências de uma indústria publicitária que divulga corpos irreais?  

O Brasil é o pais que mais realiza cirurgias íntimas no mundo! Foram 30.356 cirurgias de labioplastia realizadas no ano de 2019, mais que o dobro que os EUA, que ficam em segundo lugar com 12.006. No mundo todo houve um aumento de 73% em relação as estatísticas de 2015. As mulheres se submetem a procedimentos arriscados para alcançar uma estética que não é real. E a indústria da beleza continua lucrando, transformando o corpo das mulheres em mercadoria, em produto.  

A cola é atóxica! A produtora, cuidadosa, diz que não faz mal a ninguém. Mas e a toxidade do ideal criado? E a toxidade do ideal Barbie de ser, sem órgãos genitais evidentes, sem nenhum “pedaço de carne”, apenas plástico?


Fernanda Pimentel é psicanalista, professora e pesquisadora. Doutora em Pesquisa e Clínica em Psicanálise pela UERJ
 Atendimento online durante o isolamento social


9 de fevereiro de 2021

Sobre crianças e isolamento

Artigo da jornalista Eliane Brun aborda as dificuldades e a responsabilidade de cuidar de uma criança na pandemia e chama atenção para um fato quase inédito: crianças que nunca viram ou brincaram com outras crianças.  

O que significa cuidar de um filho numa pandemia?

O menino é filho único e tem oito anos. Logo nas primeiras semanas da pandemia, ele elegeu dois bichos de pelúcia para serem seus parceiros. Quando jogava videogame, colocava um dos bonecos ao lado, com um controle no colo, como se estivessem brincando juntos. Os amigos seguiam com ele dividindo as atividades do dia. O menino fantasiava outros meninos para enfrentar a falta atroz de outras crianças. Uma mãe me conta, por tela, que seu bebê nasceu na pandemia e logo completará um ano sem nunca ter visto uma outra criança. Já começa a andar e a balbuciar algumas tentativas de palavras sem jamais ter encontrado ou tocado em outro bebê. Que tipo de efeito isso terá sobre a sua vida? E se a pandemia durar mais um ano?, ela pergunta, mas sem a esperança de uma resposta. Outra menina pede: “Mãe, me dá uma criança?”.

A pandemia forjou uma realidade de crianças sem crianças. Ainda não conhecemos totalmente os efeitos que essa experiência radical pode ter sobre quem estreia na vida. Também não sabemos quando esse cotidiano será superado, já que são muitas as variáveis: do tempo para completar a vacinação ao impacto das novas cepas que já começaram a circular. Negar a emergência sociossanitária, como alguns estão fazendo, é a pior escolha possível. Como os adultos de sua vida lidam com essa pandemia será um exemplo que marcará profundamente a formação de cada criança, porque todos os desafios e as escolhas éticas fundamentais de uma vida humana estão colocados nesse acontecimento. Pode faltar criança para brincar, mas não pode faltar ética para formar.

“Faltar” criança para conviver é um dado da realidade em uma pandemia. É duro, mas há que se lidar com ele. Faltar ética ao escolher como enfrentar a crise pode ser mais complicado e ter efeitos mais longos. As crianças estão observando o que os pais fazem com ainda maior atenção porque também elas sentem nos ossos a emergência. As lições do agora serão para toda a vida.

O que significa cuidar de uma filha ou filho numa pandemia? Ou o que significa cuidar da próxima geração numa emergência global de saúde pública, já que somos todos pais daquelas e daqueles que assumirão a responsabilidade por esse mundo nas próximas décadas? Essa questão vale para todos os adultos em qualquer país do mundo, mas no Brasil ela ganha contornos muito mais dramáticos.

Leia o artigo completo aqui



Fernanda Pimentel é psicanalista, professora e pesquisadora. Doutora em Pesquisa e Clínica em Psicanálise pela UERJ
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.


27 de janeiro de 2021

O ideal de perfeição que mata mulheres

Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo!

A pesquisa mais recente revela dados de 2019 e calcula que neste ano foram realizadas 1.493.673 cirurgias e 1.072.002 procedimentos não cirúrgicos, como preenchimentos, botox e outros menos invasivos, porém não menos arriscados. O número de cirurgias não aumentou tanto em comparação com o ano anterior, mas o número de procedimentos teve um assustador aumento de 28%. Dentro das cirurgias, a lipoaspiração é o procedimento mais comum por aqui e foram realizadas 231.604 cirurgias em 2019.

O cenário é bem mais complicado quando olhamos de longe e constatamos que o aumento de cirurgias vem acontecendo globalmente. Desde que comecei a pesquisar a imagem do corpo, os excessos de manipulações estéticas e o que eu venho chamando de Patologias da Beleza, esse número nunca diminuiu nenhum digito, só cresceu.

No mundo, em 2018, foram realizadas 10.607.227 cirurgias estéticas e 12.659.147 procedimentos estéticos não cirúrgicos. Em 2019 foram 11.363.569 cirurgias e 13.618.735 procedimentos não cirúrgicos. As estatísticas de 2020 ainda não foram divulgadas, mas alguns estudos já apontam para um aumento do número de rinoplastias, relacionado ao crescente do uso de câmeras, filtros e chamadas de vídeo.

Foi desse cenário de excessos e banalização que ouvi a triste notícia da modelo e influenciadora digital de 26 anos que morreu em decorrência de complicações depois da realização de uma cirurgia de lipoaspiração, cirurgia plástica mais realizada no Brasil.

Quando uma modelo, referência de beleza com quase 200 mil seguidores, morre na busca pelo corpo ideal, fica claro pra gente a dimensão a que estética do corpo assume hoje em dia. E é essa dimensão amplificada do corpo e da perfeição que precisamos interrogar. Questionar o lugar que a busca pelo corpo perfeito ocupa na cultura atual, como esse ideal de perfeição recai sobre as mulheres e em que medida ele fica regulado pelo mercado e pela perversa indústria da beleza.

Quando uma tragédia dessas acontece as estatísticas se materializam em forma de história e todo o glamour das cirurgias e do corpo perfeito desaparece.  E quando o glamour se apaga o que aparece é o que os 2 milhões e meio de procedimentos realizados no ano escondem: que o ideal de perfeição mata, aprisiona mulheres e mutila seus corpos.

 

Pesquisa: International Society of Aesthetic Plastic Surgery – ISAPS

Fotos: Revista Vogue. Itália, 2005. Steve Meisel e Franca Sozzani.


Fernanda Pimentel é psicanalista, professora e pesquisadora. Doutora em Pesquisa e Clínica em Psicanálise pela UERJ
 Atende em consultório em Niterói e Copacabana.






 

4 de janeiro de 2021

Que venha 2021


No primeiro dia útil do ano, o ViaFreud deseja a todos um feliz ano novo! 
Que seja um ano útil e que possamos aprender com cada dia.